O Líder em Potencial: Não Existe Fórmula Mágica

07 de janeiro, 2019

por Thiago Peck

Não Existe Fórmula Mágica

“As coisas caem para baixo, e não para cima!”.

Todos nós sabemos o que nos aconteceria se pulássemos de uma janela! Assim, Isaac Newton formulou a Lei da Gravidade, e esta, por sua vez, descreve uma lei da natureza.

É certo que as leis naturais nos permite planejar ações e atingir um objetivo específico. No entanto, o que se vê na atualidade é a ideia de que as leis naturais são mais determinantes na vida das pessoas do que as leis históricas e socioculturais que atuam sobre cada indivíduo, mas será que deveria ser assim?

É comum encontrar estudos em que o desenvolvimento da subjetividade e suas demais características são tidas como sendo inatas e universais.

Ou seja, estamos acostumados a pensar que as pré-disposições genéticas definem o que cada pessoa será. Por isso, é comum ouvir as seguintes frases:

  • “Esse menino nasceu para jogar bola!”
  • “Ela tem sangue de advogada, não será outra coisa!”
  • “Desde criança eu já sabia que queria ser médico, nasci gostando de cuidar de pessoas”

É comum achar também que o desenvolvimento dos seres humanos é igual em todas as partes do mundo e/ou épocas da história.

A verdade, é que a maior parte de nossas ideias a respeito de quem somos, inclusive o próprio conceito de liderança, está carregada da noção de naturalidade. Fomos ensinados que alguns nascem aptos e outros não, sendo a psicologia e os diferentes sistemas de avaliação de pessoas as ferramentas mais utilizadas para detectar os mais “sortudos” (QIs mais autos, aptidões específicas, “líderes natos”)

Passamos a acreditar que as coisas sempre existiram da forma como vemos hoje. Muitos afirmam:

“O mundo é assim, tem gente que nasceu virado pra lua!”;

DESMASCARANDO AS TEORIAS DE LIDERANÇA

Na década de 1980, a mídia de negócios teve um importante papel difusor dos principais pacotes gerenciais. Os principais atores difusores desses pacotes são chamados de “gurus”. Pode-se identificar três tipos principais de gurus:

  • Acadêmicos
  • Consultores e
  • Managers heróis, profissionais bem-sucedidos que transformam suas ideias e experiências profissionais em produtos desse mercado.

A institucionalização do empreendedorismo deu-se simultaneamente à formação de um mercado de pacotes gerenciais, a partir de 1980, popularizando as teorias acadêmicas na mídia (livros, jornais, revistas, vídeos, palestras, treinamentos presenciais ou virtuais, até reality shows e jogos de computador).

Para exemplificar, entre as personalidades mundiais responsáveis por um novo fenômeno editorial estão nomes como o de Donald Trump, empresário norte-americano, dono da famosa expressão “You’re fired!” (“você está demitido!”), utilizada para dizer quem seria o eliminado da vez em seu reality show, The Apprentice, que teve sua versão brasileira comandada

pelo publicitário Roberto Justus.

Já Covey, outro guru dessa área, conseguiu um feito inusitado na década de 1980, ao permanecer anos nas listas de mais vendidos, com o livro “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes“, e ainda hoje é referência nos treinamentos para executivos no mundo inteiro. E como estes, há muitos de outros.

O grande problema é que temos ainda no Brasil a modernidade tardia, ou seja, tudo o que vivemos em termos de tecnologia e pesquisa chega a nós após já ter sido consumido pelos países de primeiro mundo. Tal fato fundamenta a ideia do “Fazer funcionar”.

Este pragmatismo (Experiência prática supervalorizada) do pós-modernismo é ensinado nas universidades e vivenciado em todos os setores da sociedade. As pessoas não estão preocupadas com as verdades, as regras e suas consequências, querem apenas os resultados, independentemente de quais sejam os meios.

Funciona? Então, o método é aplicado.

O perigo do pragmatismo é que a experiência funciona para você e para os outros pode funcionar diferente. Como exemplo, temos os jantares de homens de negócios ou os encontros de pirâmides (Herbalife e outros), em que alguém é convidado para testificar o que fizeram para obter sucesso e prosperidade.

Alguém presente no auditório, pode perfeitamente afirmar: “As minhas experiências foram diferentes e foram extraordinárias. Funcionaram para mim.” Quando isto acontece, ninguém poderá contestar, porque o vale é a experiência que funciona.

Ou seja, se você entende as leis do universo você domina o universo.

A ciência e a tecnologia nada mais são do que a compreensão desse universo e a codificação dele para o conforto humano. A cultura da necessidade de tecnologia. Tudo que compramos, vem com o “Manual do Fabricante” nos ensinando “como fazer”.

Assim, nossa vida fica fixada pelo tripé americano (que é a principal ideologia consumida no Brasil) que pode ser observado em três expressões da língua inglesa:

“How to do” (Como fazer)

“How stuff works” (Como as coisas funcionam)

“Just do It”. (Faça você mesmo!)

Estas três expressões revelam bem como funciona nossa cultura hoje. Ou seja, se você aprender “How stuff works” (como as coisas funcionam – desmontar e montar) você aprende “How to do” (como fazer) então “Just do it” (Faça! ou faça você mesmo).

Então se eu converso com um adolescente que está chorando na minha frente eu digo: “Há…. falta perdoar o pai pela separação. Descobri que o que não está funcionando é a engrenagem do perdão.” Então eu ajusto um parafuso ou sigo alguns passos e tudo pode ser resolvido. Com gente não é assim que funciona!

Inúmeros são os editoriais seculares que temos hoje que comprovam isso:

  • “Como ser um líder eficaz”,
  • “Como se tornar um milionário em 10 anos”.
  • “Como ser empreendedor”
  • “Como influenciar pessoas”

Atualmente, o mercado editorial brasileiro vem explorando um segmento considerado como literatura para profissionais, relacionado à vertente da autoajuda e que enfoca o que os profissionais devem fazer para se adaptarem e terem melhor desenvolvimento no trabalho ou, ao contrário, “largarem tudo” e buscarem o negócio próprio.

Esse segmento é chamado de light business, e os livros já estão sendo vistos como um dos principais vilões do mercado editorial. Isso, porque vivemos hoje uma época de muita pressão.

  • Somos pressionados a ser prósperos e bem sucedidos.
  • Pressionados a ter um corpo perfeito e uma mente saudável.

Essa é a cultura do excesso. Para vencer ou simplesmente fugir da pressão, algumas pessoas passam a buscar respostas prontas e rápidas (fastfood da vida):

  • Como faço para meu casamento dar certo?
  • Como faço para ter filhos obedientes?
  • Como faço para crescer na empresa?
  • Como ser um bom líder?

Vivemos na geração Y!

É fundamental que um líder seja capaz de analisar criticamente a sociedade em que vive. Para isso, deve estar em sintonia com a produção cultural e intelectual de sua época buscando ter uma percepção e argumentos diferenciados.

Estudos recentes conceituaram nossa época como Hipermodernidade ou pós-pós modernidade. Isto quer dizer que vivemos hoje em meio a uma cultura do excesso e do sempre mais. Esta diferenciação se faz necessária para que possamos compreender que as situações vivenciadas por esta geração têm peculiaridades que nenhuma outra geração antes viveu.  É a geração Y!

1 – Princípio do Prazer

Todo ser humano busca durante sua vida alcançar com suas ações dois objetivos principais: Obter prazer e evitar a dor.

Em nossa sociedade, as relações são baseadas na busca pela felicidade imediata e individual, bem como pelo senso de imediatismo. A tolerância entre as pessoas tem diminuído a cada dia, assim como o respeito pelas figuras de autoridade.

O princípio do prazer traz para nossas relações a busca pela felicidade imediata e o senso de imediatismo. Como exemplo, é possível encontrar muitos pais que, por ficarem fora de casa o dia todo, evitam disciplinar seus filhos ou ter conversas desagradáveis, temendo tornar o pouco tempo que ficam com eles “desagradável”.

Todavia, o grau de maturidade emocional de uma pessoa pode ser avaliado em maior ou menor nível à medida que se desenvolva a capacidade de adiar o ganho de prazer, ou lidar com a frustração.  Esta maturidade emocional determina a direção das escolhas individuais.

2 – Relativismo Moral

O Relativismo Moral defende que o bem e o mal são relativos a cada pessoa. O “bem” coincide com o que é “socialmente aprovado” numa dada sociedade. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas aprendidas e incorporadas por cada um.

O interesse particular superou o interesse público. O bem comum foi comprado pela satisfação “umbigólatra”. E a verdade absoluta precisou ficar relativa para se adequar a cada necessidade particular.

Para Michel Foucault a “verdade” do pré-modernismo e do modernismo sempre vem em favor do poderoso. A “verdade” dá suporte aos sistemas de repressão por identificar os padrões aos quais as pessoas podem ser forçadas a se conformar.

As coisas que são más ou criminosas não dependem de um critério objetivo, mas dos padrões e interesses daqueles que estão em autoridade. Desta forma, “cada sociedade tem a sua ‘política geral de verdade’ que serve a seus interesses pessoais. A ‘verdade’, dessa forma, serve os interesses da sociedade em perpetuar a sua ideologia e em proporcionar uma justificação racional para a prisão ou eliminação daqueles que vem a contradizer sua perspectiva geral.”

O líder comprometido com uma visão de transformação da realidade posta deve desejar caminhar na contramão criando estratégias para conhecer a realidade das pessoas e da sociedade para então agir sobre ela.

Liderança não é o que você faz mas sim o que você é . Liderança tem a ver com caráter. Uma pesquisa americana mostrou que 99% das falhas de liderança nas empresas são falhas de posturas pessoais e habilidades sociais da pessoa que exerce o cargo de líder.

Isto significa que é possível uma pessoa possuir um cargo de poder e liderança, mas não ter autoridade sobre sua equipe, não sendo de fato um líder.

Quer saber mais sobre o assunto?

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 O Líder Transformador de Equipes!

por Eng. Thiago Peck
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